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Persivo Silvio

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Um aprendiz da vida que adora seus prazeres e ri das suas próprias dificuldades, ou seja, um brasileiro quase tipico. "Os grandes problemas de hoje não serão nada amanhã".
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Poesia do Silvio

1月15日

Comentario VI

Comentario VI

                          

Jorge Boccanera

 

 Si pierdo la memoria qué pureza

                                            PEDRO GIMFERRER

 

oh Gimferrer si en verdad perdiese la memoria

si pudiera un día despertarme

no acordarme de nada

llegar hasta mi casa y no reconocerla

golpear su puerta y preguntar por mí

si pudiera olvidarme en realidad de

      practicar la magia

 

si pudiera desconocer mi cama

mis zapatos mi último poema

el lugar donde se guarda el vino

y esta barba y aquella camisa

y olvidarme al fin de esa mujer

que sigue echando humo todavía.

 

                                (de Contraseña)

 

Comentário VI

 

Se perco a memória que pureza

                                       Pedro Gimferrer

 

Oh! Gimferrer se em verdade perdesse a memória

Se pudesse um despertar-me

Sem recordarme de nada

Chegar até minha casa e não reconhecê-la

Golpear sua porta e perguntar por mim

Se pudesse esquecer em realidade de

        praticar a magia

 

Se pudesse desconhecer minha cama

Meus sapatos, meu último poema

No lugar onde se guarda o vinho

E esta barba e aquela camisa

E me esquecer, ao fim, desta mulher

Que segue exalando fumaça todavia.

                              (de Contrasenha)

12月19日

OUTRO POETA CHILENO

TODOS HABLAN

Jorge Carrasco

 

Todos hablan de lo que tocan sus manos.

El portero habla de la suciedad de los pupitres.

El taxista habla de números de lejanas calles.

El padre habla de los hijos, sólo de los hijos.  

 

El sol habla de las malezas de mi vereda.

 

Cada uno es esclavo de las cosas que trae al mundo.

La hembras arrastran las cadenas

de sus milenarios cachorros.

La tierra muele las piedras de sus órganos

para llamar a las raíces de todos los árboles.

 

El gobernante es esclavo de los hambrientos

que incendian las calles.

 

Y cada uno es rey de lo que sueña.

El portero que escribe en un pizarrón imaginario.

El taxista que habla como propietario de andenes.

El padre que quiere hablar de sus recuerdos,

sólo de sus recuerdos.

 

El sol que ve su danza en la copa

de los árboles de mi alma.

 

Y cada uno es dios de las cosas

que nunca va a traer al mundo.

 

 

TODOS FALAM

 

Todos falam de que suas mãos tocam

O porteiro fala da sujeira das maçanetas.

O  taxista fala dos números de ruas distantes.

O pai fala dos filhos, só dos filhos.  

 

O sol fala das ervas daninhas das veredas.

 

Cada um é escravo das coisas que trazem ao mundo.

As fêmeas arrastam as correntes

de seus cachorros milenários.

A terra mói pedras de seus órgãos

Para chamar as raízes de todas as árvores.

 

O governante é escravo dos famintos

Que incendeiam as ruas.

 

E cada é rei de seu sonho.

O porteiro que escreve num quadro imaginário.

O  táxista que fala como proprietário da empresa.

O pai que ama falar de suas memórias,

somente de suas memórias.

 

O sol que dança na copa das arvores

De minha alma.

 

E cada um é o deus das coisas

Que nunca vão trazer ao mundo.

12月2日

SEM CHORO

Assim os dias se passavam em noites

Onde o nosso amor morria em ais

E, em ondas de gozo, dizíamos:

-Tão bom assim não será jamais!

 

Mas na próxima vez era ainda melhor

E, no dia seguinte, melhorava mais

Do mundo inteiro até sentíamos dó

Envolvidos neste amor demais, demais.

 

Mas tudo acaba, até o amor, e acabou um dia

Em que, para nosso espanto, foi tão ruim

Que um olhar para o outro era agonia

E nós separamos sem chorar tal fim.

 

 

11月30日

PABLO NERUDA

Do "Poema 20" de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada”

 

Pablo Neruda

 

"De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.

Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.

Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,

mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,

y éstos sean los últimos versos que yo le escribo."

 

POEMA 20

 

De outro. Será de outro. Como era antes de meu beijos.

Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Eu não a quero, é certo, porém talvez a quero.

É tão curto o amor, e tão largo o esquecimento.

Porque em noites como esta a tive entre os meus braços,

Minha alma não se contentava em havê-la perdido.

Ainda que esta seja a última dor que ela me causa

E estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

10月10日

LUZ NEGRA

Por seres assim clara e irrevalada,
Deusa negra de branco sorriso,
É que me vejo em cada madrugada
Ávido de teu corpo que preciso
 
Como meio de descobrir o que me prende,
Mais quanto mais tua pele conheço
Menos o conhecimento me rende
Mais e mais me perco e desconheço
 
Assim és: mais conhecida de quem não conhece
De quem não vive a rezar a doce prece
Do amor que em ti é divino pecado
E que me absolve e me tem iluminado!

Beleza Negra
 
Uma parte pelo olhar dengoso;
Outra, sei, pela pele escura.
Outras? Nem sei. Acho orgulhoso
Que tudo é belo em ti, ó criatura!
 
E dizem que te amo por exótica!
Os pobres ricos, que não sabem do amor,
Vêem apenas pela maldosa ótica
Do dinheiro e nunca do sabor!
 
Soubessem eles do gosto de tua boca!
Pudessem gozar da paixão louca
Que só teu corpo é capaz de despertar
 
Aprenderiam que a ilusão é preta
Que Deus, como invencível esteta,
Foi com as negras que aprendeu a amar!
9月25日

A TUA LEMBRANÇA

                           A TUA LEMBRANÇA

 

                  Estranhamente relevas as evidências:

                  Constróis os caminhos com teus passos

                  Que, pela leveza, não existem.

                  Pairas, acima da mobília,

                  Como se as coisas fossem apenas

                       a moldura para resplandeceres

                                                           mais bela.

                  Finjo acreditar em ti

                  Mesmo sabendo que não existes

                  E te abraço, bêbado de espanto,

                  E te beijo, em coma de ilusão,

                  Enquanto em redor a ti,

                  Tão perplexo como eu,

                  Todos os seres param

                  E o tempo, imóvel e veloz,

                  Espera manso

                  Tuas ordens

                  Para poder correr.  

               (Do livro Apocalypse).                                                   

 
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